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Doenças gastrointestinais mais comuns em crianças e adolescentes

Constipação, refluxo, alergia alimentar, doença celíaca e outras: como reconhecer os sinais e quando procurar o gastroenterologista pediátrico.

Por Dr. Leandro DuarteOutubro de 2026Leitura de 8 min

Dor de barriga, intestino preso, vômitos e diarreia estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios de pediatria. Na maioria das vezes são problemas passageiros, mas alguns sinais merecem atenção. Conhecer as doenças mais comuns ajuda a família a observar melhor e a buscar ajuda no momento certo.

O sistema digestivo da criança está em formação: amadurece nos primeiros anos de vida, muda com a introdução alimentar e passa por novas transformações na adolescência. Por isso, sintomas que parecem iguais podem ter causas muito diferentes conforme a idade.

As condições mais frequentes

Muito comum

Constipação intestinal

É uma das principais causas de dor abdominal na infância. A criança evacua com pouca frequência, as fezes são duras ou grandes, e o momento de ir ao banheiro vira motivo de choro ou medo. Muitas passam a “segurar” as fezes, o que piora o quadro. Pode haver escape de fezes na roupa, que costuma ser confundido com diarreia ou desleixo.

Na grande maioria dos casos é funcional, ou seja, não há doença por trás, e o tratamento envolve ajustes na alimentação, rotina de banheiro e, quando indicado, medicação por um período adequado.

Bebês e crianças

Refluxo gastroesofágico

Golfadas são muito comuns nos primeiros meses de vida e, na maior parte dos bebês, melhoram sozinhas ao longo do primeiro ano, conforme o sistema digestivo amadurece. Quando isso acontece sem outros sintomas, chamamos de refluxo fisiológico.

Ele passa a ser uma doença do refluxo quando causa sintomas importantes: recusa alimentar, irritabilidade intensa durante as mamadas, vômitos frequentes, pouco ganho de peso ou problemas respiratórios. Em crianças maiores e adolescentes, pode aparecer como azia e dor no peito.

Alimentação

Alergia alimentar

A alergia à proteína do leite de vaca é a mais comum nos primeiros anos, mas ovo, soja, trigo e outros alimentos também podem estar envolvidos. Os sintomas variam: vômitos, diarreia, sangue nas fezes, cólicas intensas, alterações na pele e dificuldade de ganhar peso.

O diagnóstico precisa ser feito pelo médico. Retirar alimentos da dieta por conta própria pode trazer prejuízos nutricionais e atrasar o diagnóstico correto. Muitas crianças desenvolvem tolerância com o tempo, e isso também deve ser reavaliado com acompanhamento.

Muitas vezes silenciosa

Doença celíaca

É uma reação do organismo ao glúten, presente no trigo, na cevada e no centeio. Pode causar diarreia crônica, barriga distendida e baixo ganho de peso, mas também sinais menos óbvios: baixa estatura, anemia que não melhora, cansaço, atraso na puberdade e alterações nos dentes.

A investigação começa com exames de sangue e deve ser feita antes de retirar o glúten da dieta, para não mascarar o resultado.

Escolares e adolescentes

Dor abdominal funcional

Dores de barriga recorrentes, sem uma doença estrutural por trás, são frequentes em crianças em idade escolar e em adolescentes. A dor é real e pode atrapalhar a escola e a rotina. Estresse, ansiedade, sono ruim e alimentação desregulada costumam influenciar. O papel do especialista é descartar outras causas com segurança e orientar um plano de cuidado.

Atenção à duração

Diarreia aguda e crônica

A diarreia aguda, geralmente causada por vírus, costuma durar poucos dias. O maior cuidado é com a hidratação, especialmente em bebês. Quando a diarreia se prolonga por mais de quatro semanas, chamamos de diarreia crônica, e é preciso investigar causas como intolerâncias, alergias, infecções persistentes, doença celíaca ou doenças inflamatórias.

Menos comum, mas importante

Doença inflamatória intestinal

Inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, inflamações crônicas do intestino que vêm sendo diagnosticadas com mais frequência em crianças e adolescentes. Dor abdominal persistente, diarreia, sangue nas fezes, perda de peso, feridas na região anal e atraso no crescimento são sinais de alerta. O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado fazem grande diferença na qualidade de vida.

Sinais de alerta: procure avaliação médica

  • Perda de peso ou dificuldade para ganhar peso e crescer
  • Sangue nas fezes ou fezes muito escuras
  • Vômitos persistentes, em jato ou de cor esverdeada
  • Dor que acorda a criança durante a noite
  • Diarreia que dura mais de duas semanas
  • Febre sem explicação que vai e volta
  • Dificuldade ou dor para engolir
  • Atraso na puberdade em adolescentes
  • Histórico familiar de doença celíaca ou doença inflamatória intestinal

Em caso de sinais de desidratação (boca seca, pouca urina, sonolência excessiva) ou dor muito intensa, procure um pronto-atendimento.

Como é a consulta com o gastroenterologista pediátrico

A consulta começa por uma conversa detalhada com a família: quando os sintomas começaram, como é a alimentação, a rotina de evacuação, o sono e a vida escolar. Em seguida vem o exame físico, com avaliação cuidadosa do peso e da altura nas curvas de crescimento.

Muitas condições são diagnosticadas apenas com essa avaliação clínica. Quando necessário, são solicitados exames de forma criteriosa, sempre pensando no conforto da criança.

Dica para a consulta

  • Anote há quanto tempo os sintomas começaram e com que frequência acontecem.
  • Se possível, registre como são as fezes (uma foto ajuda) e o que a criança comeu nos dias anteriores.
  • Leve a caderneta de saúde da criança e exames anteriores.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada criança precisa de avaliação individual. Não inicie, suspenda ou altere tratamentos sem orientação do médico que acompanha seu filho.

Dr. Leandro Duarte
Dr. Leandro DuartePediatra e Gastroenterologista Pediátrico
CRM 5269829-6/RJ · RQE 11887 · RQE 62084

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