O que a criança come nos primeiros anos ajuda a formar o paladar, a flora intestinal e os hábitos que ela levará para a vida adulta. Não se trata de buscar uma dieta perfeita, mas de construir, aos poucos, uma rotina alimentar saudável e prazerosa para toda a família.
Nos primeiros meses: o leite materno
O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, sem necessidade de água, chás ou outros alimentos, e a continuidade da amamentação até os 2 anos ou mais, junto com a alimentação da família.
Quando a amamentação não é possível, a escolha da fórmula infantil adequada deve ser orientada pelo pediatra. Leite de vaca não deve substituir o leite materno ou a fórmula no primeiro ano de vida.
A introdução alimentar
A partir dos 6 meses, começam os novos alimentos. É uma fase de descobertas, e alguma recusa no início é normal: a criança pode precisar provar um alimento várias vezes até aceitá-lo.
Boas práticas na introdução alimentar
- Ofereça comida de verdade: legumes, verduras, frutas, feijão e outras leguminosas, cereais, carnes e ovos.
- Comece com alimentos amassados com o garfo, não liquidificados, e evolua a consistência com o tempo.
- Não ofereça açúcar nem alimentos adoçados antes dos 2 anos.
- Mel não deve ser oferecido antes de 1 ano, pelo risco de botulismo.
- Ofereça água nos intervalos das refeições.
- Evite sucos, mesmo os naturais, no primeiro ano. Depois, prefira a fruta inteira.
- Respeite os sinais de fome e saciedade da criança. Não force nem use comida como recompensa.
Fibras e água: os aliados do intestino
A constipação intestinal é uma das queixas mais comuns na infância, e a alimentação tem papel central na prevenção. As fibras ajudam a formar fezes mais macias e a manter o intestino funcionando com regularidade, mas precisam vir acompanhadas de água.
- Frutas, de preferência com casca e bagaço quando possível, como mamão, ameixa, laranja com bagaço, pera e kiwi.
- Verduras e legumes todos os dias, no almoço e no jantar.
- Feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas.
- Cereais integrais, como aveia, arroz integral e pães integrais.
- Água ao longo do dia, oferecida mesmo quando a criança não pede.
Excesso de leite e derivados, em detrimento de outros alimentos, é uma causa comum de intestino preso em crianças pequenas. Vale conversar com o médico sobre a quantidade adequada para a idade.
Ultraprocessados: quanto menos, melhor
Salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, refrigerantes, sucos de caixinha, embutidos e macarrão instantâneo têm muito açúcar, sal, gordura e aditivos, e pouca fibra. Além de favorecer o ganho de peso excessivo, eles ocupam o espaço de alimentos que nutrem de verdade.
O Guia Alimentar para a População Brasileira traz uma regra simples: faça de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação, e evite os ultraprocessados.
A rotina à mesa também conta
- Mantenha horários regulares para as refeições e lanches, evitando “beliscar” o dia todo.
- Refeições sem telas: a criança percebe melhor a saciedade e aproveita o momento em família.
- Envolva a criança no preparo, na escolha das frutas na feira e na montagem do prato.
- Seja o exemplo: as crianças aprendem muito mais com o que veem do que com o que ouvem.
Na adolescência
É uma fase de crescimento acelerado, em que as necessidades nutricionais aumentam. Ao mesmo tempo, o adolescente ganha autonomia e costuma pular refeições, consumir mais fast-food, refrigerantes e bebidas energéticas.
- Incentive o café da manhã e refeições regulares.
- Garanta fontes de ferro (carnes, feijão, folhas verde-escuras) e cálcio, importantes nessa fase.
- Fique atento ao excesso de peso, que pode se associar a acúmulo de gordura no fígado já na adolescência.
- Observe sinais como restrição alimentar exagerada, preocupação excessiva com o peso ou episódios de compulsão, e converse com o médico se notar algo.
Dietas restritivas sem diagnóstico
Retirar leite, glúten ou outros grupos alimentares “por precaução” pode prejudicar o crescimento e dificultar diagnósticos. Se você suspeita de que algum alimento faz mal ao seu filho, procure avaliação médica antes de mudar a dieta.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada criança precisa de avaliação individual. Não inicie, suspenda ou altere tratamentos sem orientação do médico que acompanha seu filho.

