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Alimentação

Cuidados com a alimentação: do primeiro prato à adolescência

Aleitamento, introdução alimentar, fibras, água e ultraprocessados: hábitos que protegem o intestino e o crescimento.

Por Dr. Leandro DuarteOutubro de 2026Leitura de 7 min

O que a criança come nos primeiros anos ajuda a formar o paladar, a flora intestinal e os hábitos que ela levará para a vida adulta. Não se trata de buscar uma dieta perfeita, mas de construir, aos poucos, uma rotina alimentar saudável e prazerosa para toda a família.

Nos primeiros meses: o leite materno

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, sem necessidade de água, chás ou outros alimentos, e a continuidade da amamentação até os 2 anos ou mais, junto com a alimentação da família.

Quando a amamentação não é possível, a escolha da fórmula infantil adequada deve ser orientada pelo pediatra. Leite de vaca não deve substituir o leite materno ou a fórmula no primeiro ano de vida.

A introdução alimentar

A partir dos 6 meses, começam os novos alimentos. É uma fase de descobertas, e alguma recusa no início é normal: a criança pode precisar provar um alimento várias vezes até aceitá-lo.

Boas práticas na introdução alimentar

  • Ofereça comida de verdade: legumes, verduras, frutas, feijão e outras leguminosas, cereais, carnes e ovos.
  • Comece com alimentos amassados com o garfo, não liquidificados, e evolua a consistência com o tempo.
  • Não ofereça açúcar nem alimentos adoçados antes dos 2 anos.
  • Mel não deve ser oferecido antes de 1 ano, pelo risco de botulismo.
  • Ofereça água nos intervalos das refeições.
  • Evite sucos, mesmo os naturais, no primeiro ano. Depois, prefira a fruta inteira.
  • Respeite os sinais de fome e saciedade da criança. Não force nem use comida como recompensa.

Fibras e água: os aliados do intestino

A constipação intestinal é uma das queixas mais comuns na infância, e a alimentação tem papel central na prevenção. As fibras ajudam a formar fezes mais macias e a manter o intestino funcionando com regularidade, mas precisam vir acompanhadas de água.

Excesso de leite e derivados, em detrimento de outros alimentos, é uma causa comum de intestino preso em crianças pequenas. Vale conversar com o médico sobre a quantidade adequada para a idade.

Ultraprocessados: quanto menos, melhor

Salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, refrigerantes, sucos de caixinha, embutidos e macarrão instantâneo têm muito açúcar, sal, gordura e aditivos, e pouca fibra. Além de favorecer o ganho de peso excessivo, eles ocupam o espaço de alimentos que nutrem de verdade.

O Guia Alimentar para a População Brasileira traz uma regra simples: faça de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação, e evite os ultraprocessados.

A rotina à mesa também conta

Na adolescência

É uma fase de crescimento acelerado, em que as necessidades nutricionais aumentam. Ao mesmo tempo, o adolescente ganha autonomia e costuma pular refeições, consumir mais fast-food, refrigerantes e bebidas energéticas.

Dietas restritivas sem diagnóstico

Retirar leite, glúten ou outros grupos alimentares “por precaução” pode prejudicar o crescimento e dificultar diagnósticos. Se você suspeita de que algum alimento faz mal ao seu filho, procure avaliação médica antes de mudar a dieta.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada criança precisa de avaliação individual. Não inicie, suspenda ou altere tratamentos sem orientação do médico que acompanha seu filho.

Dr. Leandro Duarte
Dr. Leandro DuartePediatra e Gastroenterologista Pediátrico
CRM 5269829-6/RJ · RQE 11887 · RQE 62084

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